Qual manifestação Artistica mais lhe agrada ?

Domingo, Outubro 12, 2008

QUELI CRISTINA

PUDORES

Pudores despudorados.
A essência da mentira disfarçada em meias verdades.
O ego elevado
Inflamado despenca do mais alto patamar.
O cinismo disfarçado circula em nosso lar
poluindo e pesando o nosso ar.
O homem e suas peripécias.
Ainda hoje, em pleno século XXI, temos choques culturais,
pré-conceito e preconceitos
de um conceito sempre desfeito.
O ser em seu reinado absoluto dissolúvel
numa sólida ilusão cai no vão da razão,
detém-se ao não, pois o sim é difícil,
difundindo-se o sim com o não.
E assim vamos vivendo
na certeza de que ninguém anda nos vendo,
e mentindo para nós mesmo
só para nos satisfazermos,
e o desejo incontido e contido
com as boas maneiras imposta
ainda lá no ventre da mãe gentil.

QUELI CRISTINA

Domingo, Setembro 21, 2008

ROMANTISMO

ROMANTISMO



O romantismo foi um movimento artístico ocorrido na Europa por volta de 1800, na literatura e filosofia, para depois alcançar as artes plásticas. Diante do racionalismo anterior à revolução, ele propunha a elevação dos sentimentos acima do pensamento. Curiosamente, não se pode falar de uma estética tipicamente romântica, visto que nenhum dos artistas se afastou completamente do academicismo, mas sim de uma homogeneidade conceitual pela temática das obras.

A iconografia romântica caracterizou-se por sua estreita relação com a literatura e a poesia, especialmente com as lendas heróicas medievais e dramas amorosos, assim como com as histórias recolhidas em países exóticos, metaforizando temas políticos ou filosóficos da época e ressaltando o espírito nacional. Não se pode esquecer que o romantismo revalorizou os conceitos de pátria e república. Papel especial desempenharam a morte heróica na guerra e o suicídio por amor.

A arquitetura e a escultura românticas se caracterizaram por sua linguagem nostálgica e pela pouca originalidade. Quando não se mesclaram estilos históricos obtendo-se obras bem mais ecléticas, reproduziram-se fielmente castelos e igrejas medievais, estilo que foi chamado de neogótico. Na escultura, imitando a linguagem pictórica, produziram-se figuras de uma dramaticidade e energia comparáveis apenas às presentes nas telas

de Delacroix, embora também dentro de um forte academicismo.

Glórinha Anchieta I

Desaparecidos

Há uma dor

Um vazio

Uma espera interminável

Uma busca incessante

Um grito preso na garganta

Uma ferida no peito que não fecha

Há muita amargura

No coração de todo aquele

Que um dia

Ao olhar para o lado

Viu que ali não estava

Um fruto seu

Dolorida palavra

Para expressar tamanha angústia

Que maltrata tantos corações

Gerando a aflição de uma eterna busca

Por um filho

Um companheiro

Um pai

Um irmão

Desaparecido no mundo

Porém no peito

Nunca morre a esperança

De um reencontro

Porque quem ama

Pode desaparecer no caminho

Mas jamais no coração



Glórinha Anchieta – GG

Tarde de outono

25/05/2008

Domingo, Junho 15, 2008

ARTE BARBARA - IMPRESSÕES ANTROPOLÓGICAS

ARTE BÁRBARA


Depois da queda do império romano, mongóis, vândalos, alanos, francos, germânicos e suecos, entre outros povos conhecidos genericamente como bárbaros, avançaram definitivamente sobre a Europa. Estava em curso o século V. Esses grupos, essencialmente nômades, não demoraram a
assimilar a cultura e a religião (cristianismo) dos povos conquistados, ao mesmo tempo em que lhes transmitiam seus próprios traços culturais, o que deu origem a uma arte completamente diferente, que assentaria as bases para a arte européia dos séculos VIII e IX.
O fato de não possuírem um hábitat fixo influenciou grandemente os costumes e expressões artísticas dos bárbaros. Era notável sua destreza naquelas disciplinas que permitiam a fabricação de objetos facilmente transportáveis, fossem eles de luxo ou utilitários. Assim, não é de admirar
que tenham sobressaído na ourivesaria, na fundição e moldagem de metais, tanto para a fabricação de armas quanto de jóias, e nas técnicas de decoração correspondentes, como a tauxia ou damasquinagem, a esmaltação, a entalhadura e a filigrana.
Todos esses povos tiveram uma origem comum na civilização celta, que desde o século V a.C. até a dominação romana se estabeleceu na Europa de norte a sul e de leste a oeste. Em suas crônicas, os romanos os descrevem como temíveis guerreiros e hábeis fundidores de metais. Uma vez
dominados, uma boa parte da população foi assimilada pelo império e outra fugiu para o norte. Somente quando o império começou a ruir foi que conseguiram penetrar em suas fronteiras e estabelecer numerosos reinos, dos quais se originaram, em parte, as nacionalidades européias.
A Europa entrou assim num dos períodos históricos mais obscuros, a meio caminho entre a religiosidade, agora em parte aceita, dos primeiros cristãos e a beligerância selvagem dos novos senhores. Mais tarde sofreria também o açoite dos vikings dinamarqueses vindos do norte, em
perpétua luta contra os francos e os eslavos ocidentais. Por seu lado, a Igreja ia ganhando posições com a proliferação de mosteiros exatamente onde os mais temíveis exércitos não conseguiam vencer as batalhas: as ilhas britânicas e o leste da Europa.

Domingo, Junho 01, 2008

A IMPUREZA DA CONQUISTA


Hoje, 60 anos após sua morte, as cinzas da Grande Alma,

o Mahatma Ghandi, foram jogadas ao mar

“ A bíblia tem quarenta e cinco capítulos

Tratando da preparação do povo judeu

Para a travessia do deserto”

SILAS MALAFAIA EM SEU PROGRAMA DE TV DIÁRIO


“ Proclamar as próprias convicções,

notadamente diante das criaturas que se nos façam adversas,

é coragem da fé, no entanto,

semelhante afirmação de valor não se restringe a isso.”

MÃOS UNIDAS
FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER
PELO ES
PÍRITO DE EMMANUEL


“ As Palavras Me Escondem Sem Cuidado”
MANOEL DE BARROS

Existe na conquista, uma brutalidade sem tamanho. A simples pretensão de ter o outro já indica a intenção de pô-lo a disposição de nossas crenças, verdades e/ou caprichos. Conquistar é por o outro sob o julgo da nossa vontade e esta é a maior de todas as verdades, pois é nossa, aflora vinda de nossas mais profundas entranhas e gera o famigerado desejo – Um pecado herdado do criador.

Existem diversas formas de conquista. A História Universal, nos mostra com detalhes o sangue, as flores, os idílios, as paixões e a solidão das conquistas.

Uma das mais violentas e covardes formas de conquista é a religiosa. Aqui é que se pode encontrar uma força e coragem portentosa na arte de subjugar, pois que desconsiderando a etnia, a cultura, a crença e a paixão do outro, avança sobre este e o ataca com a força dos leões se for preciso impor força física, com a sutileza de Íago se forem necessárias a farsa e a falsidade precisa, com a leveza de Jesus, Gandhi e Madre Thereza de Calcutá se a tática for necessária a inclusão da total força dos sentidos e máxima exploração do subjetivo e ainda, se a força física, a sutileza da falsidade precisa e a leveza da exploração do subjetivo falharem, haverão de convocar a fé advinda da esperança na espera, o sagrado proveniente dos testamentos, a predestinação e o livre arbítrio, força maior de um milagre da imaginação de Santo Agostinho.

A mais linda das conquistas é aquela que se privilegia do amor. Mesmo este sendo um sentimento de poder, é possível que seja puro das intenções e das nervuras criadas pela vontade religiosa. E assim, através da pureza d´alma vai se dando, numa inter relação de trocas, num refluxo intermitente entre o dar e o receber, que confundem a razão, tornando-a subjetiva e apaixonantemente sublime para duas ou mais relações interpessoais.

Na mais linda das conquistas encontramos o ambiente da paixão sublimado no universo do amor com a individualidade preservada. As texturas da paixão e as ações do amor não extinguem, não deturpam, não destroem e não desconsideram as características antropológicas do outro.

É milenar a necessidade de poder. Esta vontade antecede o que se chama de civilização e talvez tenha sido a mola da gestação do que se conhece como Estado. O poder se dá diante do avanço por sobre o outro. Este avanço pode ser político, econômico e social e se relaciona com a religião, com a etnia, com a cultura e com a educação e é na capacidade de se inter relacionar com a diversidade destes micro universos de poder que se dá a conquista. O processo sempre foi laico e assim sendo foi sempre confuso e diluído no que se ousou chamar de amor, pois as religiões sempre estiveram enterradas até o pescoço no esforço de se mostrarem assim – a mais perfeita entrega a uma divindade salvadora que é a pureza do amor – nesse mote e a galope avançaram por sobre o homem e suas fraquezas e foram e são ainda a maior de todas as causas de guerras no mundo inteiro pelo simples corriqueiro fato de serem uma capa, um artifício de poder, desde a sua macrorelação com o Estado até a sua micro relação com o ser humano.

Este texto tem a arrogância da conquista pois dilui-se da intenção de falar do açoite que representa este passo e perde-se na articulação e na estratégia estilística de sua construção pois que se utiliza da mesma forma e formato dos grandes conquistadores. É como Splenger fala, o conquistado absorve a força e táctica do conquistador.

Não me arremesso a ser o certo por este texto, pois que, não me encontro com a certeza absoluta dos “fundamentalistas”, aliás tanto quanto o cantor............, eu tenho medo, quase pânico de quem tem muita certeza.

Este texto segue o poema “ Heresia” que foi enviado a meus amigos do Orkut e a minha lista de e-mail.Houveram muitas críticas. “ Heresia” é só um poema e este é só uma crônica e pode ser sim, que minha ‘ descrença entorte a minha visão da experiência religiosa e que o ato de fé seja sempre por mim retratado como uma manifestação a sr lamentada da grotesca miséria humana”, assim, como Veríssimo fala de Felini, em Banquete Com Os Deuses, mas tal corrupção se dá com o fim da sutileza, da inocência e vem ainda do senso de desamparo, ainda citando e roubando as palavras de Veríssimo, que adquiri com a paixão pela História. Meu texto exorciza minha revolta e nojo e pedir e ou exigir que as imagens, texturas e pensares que crio sejam outros é pedir mais, do que eu quero e posso, dar.

Quinta-feira, Maio 01, 2008

Sobra de Saudade

Eu me apresento:
Aos presentes que nunca ganhei
Ao me comportar a espera da recompensa que não vem
Ao último copo que quebrei
Ao ônibus que passou e eu não peguei
Aos lugares lotados, justo na minha vez
Ao progresso apressado que veio e eu como sempre pouco me importei
Eu me apresento e mando lembranças:
Aquela menina que só soube me amar uma única vez
Mas que ainda assim telefonei
Ao arrepio no corpo que procurei
Ao grito no vazio que não dei
Ao choro preso que quase despeijei
Ao sonho que disperdicei, consumindo desejos
Ao cair... Mas não poder dizer: - Me joguei
Ao tentar me achar
Mas ter medo de se perder
AO CONFORTO DE SI MESMO QUANDO SE ESTÁ SOZINHO
AO CARINHO QUE SE FAZ AO SUSPIRAR (QUASE FALTANDO AR)
Ao querer mais de uma noite, pois ela dura pouco p'rá quem sabe viver
A sobra de saudade que me fez acordar p'rá você e escrever
A falha no lembrar que por vezes me fez de vocês, esquecer
As palavras que pensei
Mas nunca consegui dizer
As mentiras que já contei
Ao sangue de soco bem dado que nunca tirei, nas brigas que causei
As pessoas que nunca gostei
Aos foras que já tomei, amores que inventei
Aos saltos que ousei
Aos conceitos e preconceitos que já guardei e desprezei
As desculpas que nunca pedi, nem dei
Aos encontros que dispensei
Aos corpos que quase me apaixonei
Mas pesei e no fim só usei
Eu, hoje, só me apresento:
A você que desde sempre amei

Alline ♫

Domingo, Abril 20, 2008

ARTE INDIANA E KHMERIANA

ARTE INDIANA E KHMERIANA


Deve-se entender como arte indiana aquela que se manifestou não apenas na Índia, mas também na Caxemira, Ceilão, Nepal, Tibete e Indonésia. O modelo, entretanto, foi forjado no país que lhe dá o nome e difundiu-se a partir do reino vizinho, o Khmer, pelos demais. As origens da arte indiana remontam às invasões dos arianos, no século VII a.C., que depois de devastar a civilização do vale do Indo impuseram sua língua, o sânscrito, e seus escritos Religiosos, Os Vedas. Com a dinastia dos Mauryas começou um período de esplendor cultural.

O budismo, apesar de posterior ao bramanismo e contemporâneo do jainismo, estabeleceu os princípios da arte indiana ao longo de toda a história, desde seu surgimento. A necessidade de difusão desse movimento religioso levou à adoção de determinados parâmetros de representação, que depois foram estendidos às outras religiões. A arte indiana também recebeu
influência persa, principalmente nas cortes, sob o reinado de Asoka (274-237 a.C.). No
século I d.C. surgiram as três escolas mais importantes da Índia.

A de Gandhara e a de Mathura, no norte; e a de Wengi, no sul. A primeira foi a mais importante, na medida em que, influenciada pela arte grega, criou a chamada arte grecobúdica e foi também responsável pela primeira representação figurativa do príncipe Buda, sentado e com auréola, até
então simbolizado pelo vazio. O chamado período clássico começou com os reis guptas, que revitalizaram notavelmente a pintura e a escultura e renovaram as formas arquitetônicas, retomando a tradição indiana, deixando de lado o budismo.

A arte indiana começou a se expandir a partir da Idade Média e encontrou seu imitador mais respeitado no vizinho reino do Khmer, no Camboja. Os artistas desse reino apostaram, entretanto, em representações mais rígidas, de modo geral estritamente simétricas e despojadas do sensualismo e erotismo do modelo. Especial relevância tiveram os templos piramidais,
que se difundiram de lá para o resto da Ásia, e os relevos, de superfícies menos carregadas, aparentemente devido à falta de conhecimentos técnicos de seus escultores.

Sexta-feira, Março 21, 2008

O DUELO PERFEITO

O DUELO PERFEITO

Hoje eu acordei pra celebrar a vida,

Fazer parte de uma história esquecida.

Enfeitar um móbile no berço

E sorrir das suas voltas imprevistas.


Acordei para relembrar os fatos,

De um tempo passado,

Comemorar cada enterro como se fosse o meu próprio.


Beijos nostálgicos,

Olhos fechados,

Erros marcados,

Como um “tic-tac” errado.


O último adeus levo a ti.

Falta, sei que irei sentir.

Falta das alegrias vividas,

São tantas dores e noites sofridas,

Com a presença da agonia de sua ausência.


Um samurai errante,

Em busca do duelo perfeito.

Somos guerreiros,

Ferindo terceiros.


Indiretamente, sei que fiz!

Trago a ti, uma agonia infeliz.


IVAN LIMA

ISA LIMA

HELIO ANDRADE

Domingo, Março 02, 2008

ARTE OCEÂNICA - IMPRESSÕES ANTROPOLÓGICAS

ARTE OCEÂNICA

A arte da Oceania constitui um conglomerado de expressões artísticas de grande diversidade. Sua inclusão na história da arte é bastante recente, data deste século, quando fauvistas e expressionistas se maravilharam diante da liberdade criativa que expressavam as primeiras peças chegadas ao Velho Continente, vindas das ilhas paradisíacas dos mares do sul. Alguns, como Gauguin, não titubearam em se mudar para lá por algum tempo, em busca de novas
motivações temáticas e técnicas.
São quatro as etnias principais encontradas no continente da Oceania, vindas provavelmente da Índia e Indonésia: os australianos, nos desertos do continente, os papuas, na ilha da Nova Guiné, os melanésios, no arquipélago da Melanésia, e os polinésios, na Nova Zelândia (os maoris) e ilha de Páscoa. Embora todos tenham origem asiática, cada um desenvolveu diferentes técnicas e disciplinas artísticas submetidas em parte aos condicionamentos geográficos, climáticos e materiais de cada região.
Assim, embora no caso dos arquipélagos da Polinésia e Melanésia os materiais utilizados sejam variados - fibras vegetais, ossos, corais, penas de pássaros, madeira e conchinhas -, o mesmo já não ocorre com os aborígines australianos, limitados pela escassez do deserto. Também é possível
detectar diferenças estilísticas consideráveis, inclusive entre os povos mais próximos: os australianos se preocupam com o simbolismo religioso, os papuas acentuam a expressividade, e os polinésios, menos conservadores, buscam a novidade.

ARTE AFRICANA - IMPRESSÕES ANTROPOLÔGICAS

ARTE AFRICANA

Existem muitos preconceitos com relação à arte africana e à África em geral. A denominação genérica de africano engloba maior quantidade de raças e culturas do que a de europeu, já que no continente africano convivem dez mil línguas, distribuídas entre quatro famílias, que são as principais. Daí ser particularmente difícil encontrar os traços artísticos comuns, embora, a exemplo da Europa, se possa falar de um certo aspecto identificador que os diferencia dos povos de outros continentes.
O fato de os primeiros colonizadores terem subestimado essas culturas e considerado suas obras meras curiosidades exóticas, provocou um saque sem sentido na herança cultural desse continente. Recentemente, no século XX, foi possível, graças à antropologia de campo e aos especialistas em arte africana, organizar as coleções dos museus europeus. Mas o dano já estava
feito. Muitos objetos ficaram sem classificação, não se conhecendo assim seu lugar de origem ou simplesmente ignorando-se sua função.
E isso é muito importante para a análise da obra. A arte africana é eminentemente funcional. Mais ainda, não pode ser entendida senão com base no estudo da comunidade que a produziu e de suas crenças religiosas. Basicamente os povos africanos eram animistas, prestavam culto
ao espírito de seus antepassados. Outros chegaram a criar verdadeiros panteões de deuses, existindo também os povos monoteístas. Some-se a isso a influência dos primeiros colonizadores portugueses, que cristianizaram várias regiões.
O auge da arte africana na Europa surgiu com as primeiras vanguardas, especificamente os fauvistas e os expressionistas. Estes, além de reconhecer os valores artísticos das peças africanas,
tentaram imitá-las, embora sempre sob a ótica de suas próprias interpretações, algo que colaborou em muitos casos, para a distorção do verdadeiro sentido das obras.
Entre as peças mais valorizadas atualmente estão, apenas para citar algumas, as esculturas de arte das culturas fon, fang, ioruba e bini, e as de Luba.

Quarta-feira, Janeiro 23, 2008

Valdemir Jose da Costa I

Manual prático de como se fazer um poema em dez lições:

1ª. Lição: O poeta precisa se desligar do mundo, ficar em coma, de preferência físico, mas se não der pode ser alcoólico. Escrever como se estivesse em uma cadeira elétrica e se eletrocutasse a cada 5 segundos.

2ª. Lição: O poeta não pode ter medo de nada, o poema precisa ser poderoso, meio mafioso, o poeta precisa escrever como se estivesse se afogando em algo gostoso.

3ª. Lição: O poeta precisa escrever algo diferente, inusitado e ao mesmo tempo algo que todos conheçam. Algo perfeito e raro como um diamante ou prático e comum como um rolo de barbante.

4ª. Lição: O poeta precisa ser incisivo, específico e ao mesmo tempo superficial. Falar de um assunto sem dizer coisa alguma e ser compreendido, falar de vários assuntos com o mesmo tema ou variar o tema, mas manter o assunto. Ser prolixo sem falar absolutamente nada.

5ª. Lição: O poeta precisa sair do nada e ir em direção ao infinito. Não se importando se no final o poema ficará feio ou bonito, na verdade o poeta não pode se preocupar nem com a sua própria vida.

6ª. Lição: O poeta não pode ter escrúpulos, não poupe ninguém, mate todos no final, afinal! Estamos em guerra contra o aqui e o agora. Não pense, nem mire, só atire. Se acertar tudo bem, se não vá embora.
7ª. Lição: O poeta não precisa entender o poema, poema não precisa ser entendido, nem explicado. Poema é para ser sentido, cheirado, comido, como olhos de peixe, manga madura e jiló. Poesia é pimenta! Não é alimento, não sustenta, como leite em pó.

8ª. Lição: O poeta deve desconfiar de tudo, o poema precisa ser sujo. Ser bosta na forma de adubo. Sórdido como o vôo perfeito do super-men, sagrado como NY, São Paulo, Greenwich e Jerusalém.
9ª. Lição: O poeta precisa ser sem vergonha, fumar maconha, injetar na veia, ouvir o canto da sereia, andar pelado, nadar suado, se embriagar com o nada e se afogar no vazio.
10ª. Lição: O poeta não pode procurar a verdade, ele precisa ser a verdade, maciço com como o granito, mole como pipoca. Ser de rio e de mar como uma pororoca.

Na verdade o poema verdadeiramente poético é superficialmente abissal, metodicamente visceral, é o arquétipo de si. É o bem e o mal mastigados na boca de um dragão. É a antítese do sim, mas não é um não.


Bloco domiciliar cinco Meriti, Estado Continente Rio de Janeiro, 06 de
Janeiro de 3495.
Valdemir Jose da Costa

Sábado, Dezembro 22, 2007

FANZINES

CORAÇÃO DE PAPEL

Vocês sabiam que houve uma época que não havia celular e tínhamos que ir para as ruas sem nenhum tipo de contato com ninguém? No máximo havia o Pager... Lembram? Lembram das fichas dos orelhões? Vocês lembram que antigamente não podíamos fazer cópias piratas de discos de vinil na nossa casa? Tínhamos que economizar nossos cruzeiros e cruzados para comprar o ultimo lançamento do nosso artista preferido? Ou no máximo gravar numa fita Basf? E vc´s lembram que antes dos blogs havia uma coisa chamada fanzine e que quando alguns malucos (isso me inclui) queriam “disseminar” cultura ou algumas idéias peculiares tinham que arrumar folhas de A4, grampeador, tempo, pesquisar textos em livros, criar textos, conhecer pessoas que também tinham textos, criar uma arte (as vezes de gosto duvidoso) e o mais interessante... Essas pessoas tinham que levar esse Frankenstein de papel ao encontro das pessoas... Isso mesmo... não eram elas que procuravam, nós que tínhamos que ser chatos e oferecer para os outros. Bom gostaria de prestar uma homenagem a todos os fanzines que ganhei e a todos os donos de fanzines que sempre buscaram expandir suas mentes no papel e expandir a mente dos outros pelo mundo afora. Abaixo fotos de alguns fanzines de um “distante pouco tempo”.

Um grande Salve para

SAGARANA (Ângela Nobre)

FOLHA CULTURAL PATAXÓ

POESIA E COMPANHIA (Thiago Mattos, Raquel e Reynaldo).

GAMBIARRA PROFANA

ATITUDE !

CENTRO DE INTERCAMBIO CULTURAL “MARTÍ POPULAR”

CAROÇO

INVASOR

Entre Outros


Helio Andrade

Segunda-feira, Novembro 05, 2007

HERIK ROCHA I

SÍNCOPE

Segue abaixo algumas obras do artista plástico, desenhista, músico (entre outras qualidades artísticas) Herik Rocha, apreciador de sk8, ex-guitarrista da banda "Meio Torpe", figura pensante e questionadora presenteia nosso querido blog com uma série de obras chamada SÍNCOPE, onde sua mente viaja por caminhos solitários e improváveis e onde vemos ondas do inconsciente impressos e navegando na net juntamente conosco.

apreciem abaixo nove obras. Viva a Cultura.

Segunda-feira, Outubro 08, 2007

EDGAR ALLAN POE

O CORVO

      (de Edgar Allan Poe)

    Numa meia-noite agreste, quando eu lia, lento e triste,
    Vagos, curiosos tomos de ciências ancestrais,
    E já quase adormecia, ouvi o que parecia
    O som de algúem que batia levemente a meus umbrais.
    "Uma visita", eu me disse, "está batendo a meus umbrais.

    É só isto, e nada mais."

    Ah, que bem disso me lembro! Era no frio dezembro,
    E o fogo, morrendo negro, urdia sombras desiguais.
    Como eu qu'ria a madrugada, toda a noite aos livros dada
    P'ra esquecer (em vão!) a amada, hoje entre hostes celestiais -
    Essa cujo nome sabem as hostes celestiais,

    Mas sem nome aqui jamais!

    Como, a tremer frio e frouxo, cada reposteiro roxo
    Me incutia, urdia estranhos terrores nunca antes tais!
    Mas, a mim mesmo infundido força, eu ia repetindo,
    "É uma visita pedindo entrada aqui em meus umbrais;
    Uma visita tardia pede entrada em meus umbrais.

    É só isto, e nada mais".

    E, mais forte num instante, já nem tardo ou hesitante,
    "Senhor", eu disse, "ou senhora, decerto me desculpais;
    Mas eu ia adormecendo, quando viestes batendo,
    Tão levemente batendo, batendo por meus umbrais,
    Que mal ouvi..." E abri largos, franqueando-os, meus umbrais.

    Noite, noite e nada mais.

    A treva enorme fitando, fiquei perdido receando,
    Dúbio e tais sonhos sonhando que os ninguém sonhou iguais.
    Mas a noite era infinita, a paz profunda e maldita,
    E a única palavra dita foi um nome cheio de ais -
    Eu o disse, o nome dela, e o eco disse aos meus ais.

    Isso só e nada mais.

    Para dentro então volvendo, toda a alma em mim ardendo,
    Não tardou que ouvisse novo som batendo mais e mais.
    "Por certo", disse eu, "aquela bulha é na minha janela.
    Vamos ver o que está nela, e o que são estes sinais."
    Meu coração se distraía pesquisando estes sinais.

    "É o vento, e nada mais."

    Abri então a vidraça, e eis que, com muita negaça,
    Entrou grave e nobre um corvo dos bons tempos ancestrais.
    Não fez nenhum cumprimento, não parou nem um momento,
    Mas com ar solene e lento pousou sobre os meus umbrais,
    Num alvo busto de Atena que há por sobre meus umbrais,

    Foi, pousou, e nada mais.

    E esta ave estranha e escura fez sorrir minha amargura
    Com o solene decoro de seus ares rituais.
    "Tens o aspecto tosquiado", disse eu, "mas de nobre e ousado,
    Ó velho corvo emigrado lá das trevas infernais!
    Dize-me qual o teu nome lá nas trevas infernais."

    Disse o corvo, "Nunca mais".

    Pasmei de ouvir este raro pássaro falar tão claro,
    Inda que pouco sentido tivessem palavras tais.
    Mas deve ser concedido que ninguém terá havido
    Que uma ave tenha tido pousada nos meus umbrais,
    Ave ou bicho sobre o busto que há por sobre seus umbrais,

    Com o nome "Nunca mais".

    Mas o corvo, sobre o busto, nada mais dissera, augusto,
    Que essa frase, qual se nela a alma lhe ficasse em ais.
    Nem mais voz nem movimento fez, e eu, em meu pensamento
    Perdido, murmurei lento, "Amigo, sonhos - mortais
    Todos - todos já se foram. Amanhã também te vais".

    Disse o corvo, "Nunca mais".

    A alma súbito movida por frase tão bem cabida,
    "Por certo", disse eu, "são estas vozes usuais,
    Aprendeu-as de algum dono, que a desgraça e o abandono
    Seguiram até que o entono da alma se quebrou em ais,
    E o bordão de desesp'rança de seu canto cheio de ais

    Era este "Nunca mais".

    Mas, fazendo inda a ave escura sorrir a minha amargura,
    Sentei-me defronte dela, do alvo busto e meus umbrais;
    E, enterrado na cadeira, pensei de muita maneira
    Que qu'ria esta ave agoureia dos maus tempos ancestrais,
    Esta ave negra e agoureira dos maus tempos ancestrais,

    Com aquele "Nunca mais".

    Comigo isto discorrendo, mas nem sílaba dizendo
    À ave que na minha alma cravava os olhos fatais,
    Isto e mais ia cismando, a cabeça reclinando
    No veludo onde a luz punha vagas sobras desiguais,
    Naquele veludo onde ela, entre as sobras desiguais,

    Reclinar-se-á nunca mais!

    Fez-se então o ar mais denso, como cheio dum incenso
    Que anjos dessem, cujos leves passos soam musicais.
    "Maldito!", a mim disse, "deu-te Deus, por anjos concedeu-te
    O esquecimento; valeu-te. Toma-o, esquece, com teus ais,
    O nome da que não esqueces, e que faz esses teus ais!"

    Disse o corvo, "Nunca mais".

    "Profeta", disse eu, "profeta - ou demônio ou ave preta!
    Fosse diabo ou tempestade quem te trouxe a meus umbrais,
    A este luto e este degredo, a esta noite e este segredo,
    A esta casa de ância e medo, dize a esta alma a quem atrais
    Se há um bálsamo longínquo para esta alma a quem atrais!

    Disse o corvo, "Nunca mais".

    "Profeta", disse eu, "profeta - ou demônio ou ave preta!
    Pelo Deus ante quem ambos somos fracos e mortais.
    Dize a esta alma entristecida se no Éden de outra vida
    Verá essa hoje perdida entre hostes celestiais,
    Essa cujo nome sabem as hostes celestiais!"

    Disse o corvo, "Nunca mais".

    "Que esse grito nos aparte, ave ou diabo!", eu disse. "Parte!
    Torna á noite e à tempestade! Torna às trevas infernais!
    Não deixes pena que ateste a mentira que disseste!
    Minha solidão me reste! Tira-te de meus umbrais!
    Tira o vulto de meu peito e a sombra de meus umbrais!"

    Disse o corvo, "Nunca mais".

    E o corvo, na noite infinda, está ainda, está ainda
    No alvo busto de Atena que há por sobre os meus umbrais.
    Seu olhar tem a medonha cor de um demônio que sonha,
    E a luz lança-lhe a tristonha sombra no chão há mais e mais,

    Libertar-se-á... nunca mais!

    clique aqui e saiba mais sobre Edgar Allan Poe

    (TRADUÇÃO)Fernando Pessoa

Terça-feira, Setembro 18, 2007

ANDRÉ BRITO II

Revolucionários Africanos

Revolucionários Africanos

Durantes centenas de anos, o imperialismo europeu saqueou povos e se apoderou dos recursos naturais de diversas regiões do continente africano. O legado deixado por esta absurda exploração, resultou para milhões de pessoas daquele continente, em miséria, fome, doenças, guerras civis, rivalidades étnicas, ditaduras e dependência econômica, até os tempos atuais.

Porém, há que se lembrar dos mais ilustres filhos da África, aqueles que lideraram um processo de resistência contra o colonialismo, a partir das décadas de 1950, 60 e 70. Nomes como Patrice Lumumba, Amílcar Cabral, Agostinho Neto e Steve Biko são imortais. Eis um pouco da história deles:

Patrice Lumumba

: Líder nacionalista africano e expoente da independência da atual República Democrática do Congo, liberto em relação à Bélgica. Fundou o MNC (Movimento Nacional Congolês) em 1958, sendo Primeiro-Ministro do país de junho a setembro de 1960. Passadas apenas dez semanas após sua eleição, seu governo foi derrubado, num golpe de estado e este herói vem a ser preso e assassinado sob tortura, em janeiro de 1961 pelas elites tribais apoiadas pela CIA dos EUA.

Amílcar Cabral

: Formado pelo Instituto Superior de Agronomia, em Lisboa, funda o PAIGC - Partido Africano para a Independência da Guiné e do Cabo Verde, em 1959. Quatro anos mais tarde, em 1963 se inicia o processo de guerrilha de libertação nacional contra o colonialismo de Portugal. Em janeiro de 1973, Amílcar Cabral é assassinado na capital Conacri, por dois membros inimigos inflitrados de seu próprio partido. Após sua morte a luta se intensifica e a independência de Guiné-Bissau é proclamada em Setembro do mesmo ano.

Agostinho Neto

: Médico angolano, formado em Lisboa, que em 1975 se tornou o primeiro Presidente de Angola até 1979. Ganhou em 1976 na União Soviética o Prêmio Lênin da Paz. Desde 1962, foi presidente de honra do Movimento Popular pela Libertação de Angola (MPLA), guerrilha marxista-leninista que lutou até a vitória contra o colonialismo de Portugal.

Steve Biko

: Líder do Movimento de Consciência Negra da África do Sul, morreu sob tortura, enquanto estava preso pela polícia sul-africana em setembro de 1977. Disse Nelson Mandela sobre ele: "Eles tinham que matá-lo para prolongar a vida do apartheid".

Eis agora um trecho de um poema de Agostinho Neto:


O Choro de África



O choro durante séculos
nos seus olhos traidores pela servidão dos homens
no desejo alimentado entre ambições de lufadas românticas
nos batuques choro de África
nos sorrisos choro de África
nos sarcasmos no trabalho choro de África


Texto por
ANDRÉ BRITO

Segunda-feira, Agosto 27, 2007

ISA I

Queria poder te contar o que sinto,
Mas não posso, pois nosso tempo acabou.
Como o vento que vem e que passa,
Deixa sua essência e nos permite aproveitá-lo.
Queria poder ver-te,
abraçar-te e contar como foi meu dia,
Saber como foi o seu e talvez te entender
Minha alma se prende a sua,
Deixa então o desejo de dois corpos
Que ânsia por prazer.
Queria poder te contar o que sinto,
Mas todas as vezes eu minto
Digo que está tudo bem e tal.
Estar sem você me faz tão mal.
Queria poder não sentir mais minhas lágrimas,
Esquecer um coração já abandonado,
Talvez enganado,
Coração que acreditava em sua fortaleza,
Hoje já não existe tanta certeza.

Isa Lima

Sexta-feira, Agosto 17, 2007

ANDRÉ BRITO I

Sobre a Guerra do Iraque

Vivenciamos há 4 anos, certamente, um dos maiores crimes da humanidade. Já passam dos 700 mil o número de iraquianos vitimados pela bestialidade imperialista norte-americana, que vem perdurando de 2003 a 2007.
Com o pretexto mentiroso da presença de armas de destruição em massa no Iraque, o governo fascista de Bush dos EUA, invadiu aquela nação, derrubou o regime de Saddam Hussein e se instalou lá. Desde então, detendo a maquinaria de guerra mais forte do planeta, os yankees vem promovendo um verdeiro genocídio contra homens, mulheres, crianças e idosos iraquianos. Assim, eles sim, os norte-americanos é que estão utilizando armas de destruição em massa, através de bombardeios, despejo de napalm em cidades, fora a violação de direitos humanos e da violência individual contra cidadãos do Iraque. Igualmente, vem ocorrendo também por parte dos invasores, o acirramento do ódio entre os grupos islâmicos sunitas contra xiitas e a permissão do saque de tesouros arqueológicos da Mesopotâmia, um crime histórico e algo asqueroso. E toda essa covardia e genocídio tem um motivo principal, que é a elite norte-americana se apoderar das reservas de petróleo e dos recursos naturais do Iraque.
Entretanto, há a heróica resistência do povo iraquiano, que não desiste e luta contra os invasores de seu país com orgulho e até a morte. Já chega perto dos 4 mil, o números de caixões mandados de volta para os EUA, entre soldados e oficiais abatidos, pelos libertadores da nação Iraque.

Viva a Gloriosa Resistência do Iraque e também do Afeganistão! Abaixo o Imperialismo!


ANDRÉ BRITO

Terça-feira, Agosto 14, 2007

SYLVIO NETO I

COSMOPOLITA NEGRO

Sou mitayo
a caminho da mina
sou da volante
que vai apagar Lampião
escravo urbano
engasgado com pão
habitante da cidade de plástico
colorida e alegre cidade
fantasiada a cantar o refrão
Uma mentira
que vai passar no Fantástico
sitiada
fardada
com fuzil AR 15 na mão
O argumento do menino faminto
taxa e juros simples
inflação composta
spread, crack, dow jones
bovespa, new york, nasdac
breack even point
da nação

Vivendo com pouco dinheiro

protegendo o sertão

sou messias anunciando o final
sou do partido do bem e do mal

sou jagunço talibã
capitão do mato
caçador de negão
condenado no corredor da morte

Um tacho de dúvidas
sem sorte vou guiando
na contra mão da história
sem acento, significado ou conclusão
hooligan, xiita, almocreve, Sebastião
Zumbí
poeta esquecido e mudo
cosmopolita negro
deste mundo

Sylvio Neto

Quinta-feira, Julho 19, 2007

RAQUEL I

UM ANO MAIS


Ah tempo!
Devolve a minha juventude!
Como eram bons os tempos
Em que discorria as palavras
Sob a volúpia das décadas remotas!
Hoje meus versos são nostálgicos

E remetem os jubilosos anos
Que já não voltam.
Tempos que me foram

Junto a pessoas que conheci
Com sonhos que, hoje,
Alguns vejo realizados,
Outros, ah outros!

Se foram com o passado.

Raquel Soares


Terça-feira, Julho 10, 2007

CLAUDIO "SAÚVA" II

PAISAGEM NATURAL

Uma noite
Igualmente ao entardecer
Com o nascer da Lua
Houve uma transformação
As trevas
Foram iluminadas
A noite tornou-se dia
Em um local especial
Por onde
Infâncias foram esquecidas
Juventude vivida
Tão intensamente
Quanto se o tempo não existisse
As horas se transformam
Em apenas
Um sussurrar no silêncio
entre duas pessoas
Que se entreolham
Sob o efeito
De estarem hipnotizadas
Pela luminosidade azulada
Da Lua cheia.

Cláudio “Saúva”.

Domingo, Junho 24, 2007

GUILHERME CABRAL I

Segue abaixo uma contribuição bastante interessante... uma letra de música escrita por Guilherme Cabral, grande figura de Nova Iguaçú, com seu devaneio poéticos bastante particular, Guilherme nos mostra uma letra de rara delicadeza e singeleza.
Tenho também a honra de anunciar em primeira mão a criação de um blog dele também, chamado ESTORIETA, www.estorieta.blogspot.com
Abaixo algumas palavras do próprio.

"Essa poesia retrata o momento em que encontrei a mulher da minha vida. Uma companheira que me deu o mais puro e verdadeiro amor... Eu acho que como quase nunca, consegui passar pro papel a melhor forma de representar nossa relação do nosso ponto de vista.As metáforas encontradas nessa letra são terminantemente vísiveis aos olhos de quem ama.Ou ao menos, se importa com outra pessoa dessa forma. Da forma como te amo e me importo com ela."

Metrô Pra Del Castilho


Olha, aqui eu vim
te ver
Enfrentei meu novo ser
Procuro um estar, em te encontrar
Mas quero mesmo te ter

Viajei pelo Saara
transgredi a vida clara
Sei que amor valeu a pena
Vida calma e serena,
vem ser feliz ao lado teu

Passei por Stockolmo
Eu voltei pra ver Macondo
Ve-la ruir, não me esqueci
Do meu amor por você
Tókio iluminada, linda!
Nova York, neve eu via
Só me serviu, pra me servir
Das flores que te mandei

E depois de tudo isso
Encontrei querido Rio
Peguei metrô, nem demorou
Pra chegar em del Castilho
Eu te encontrei meu amor

Letra:Guilherme Cabral

Sábado, Junho 09, 2007

KARL MARX

Karl Heinrich Marx (Tréveris, 5 de maio de 1818Londres, 14 de março de 1883) foi um intelectual alemão considerado um dos fundadores da Sociologia. Também podemos encontrar a influência de Marx em várias outras áreas tais como: filosofia, economia, história já que o conhecimento humano, em sua época, não estava fragmentado em diversas especialidades da forma como se encontra hoje. Teve participação como intelectual e como revolucionário no movimento operário, sendo que ambos (Marx e o movimento operário) influenciaram uns aos outros durante o período em que o autor viveu.

Atualmente é bastante difícil analisar a sociedade humana sem referenciar-se, em maior ou menor grau, à produção de Karl Marx, mesmo que a pessoa não seja simpática à ideologia construída em torno de seu pensamento intelectual, principalmente em relação aos seus conceitos econômicos.

CLIQUE AQUI E CONHEÇA MAIS SOBRE ESSE ÍCONE DO PENSAMENTO ECONÔMICO E SOCIAL.



Segunda-feira, Junho 04, 2007

POEMA COLETIVO III

Segue abaixo o poema coletivo criado a várias mãos no sétimo poesia na varanda

POEMA COLETIVO III

Porque EU?
Na escuridão
No clarão
Na lua
No abismo
No alto
Então quem sabe, eu?
No vão
Na contra mão
Quem sabe no NÃO?
Entre os carros quem vem e vão.
No som de uma canção
Feita por João
Num encontro
De asas e vento
Sangue e saliva
Sopa, sapato,
Sonho sadio
Simplesmente eu vivo
Simplesmente eu luto
EU, LUTO.
E não consigo
Sofro e não vivo
Espero a hora que não chega
Que quem sabe nem existe
Porque só eu?
Na escuridão que persiste me atormentar
Até a hora de a minha felicidade chegar.
Porque eu?
A pergunta que não quer calar.
Porque eu?
Que cheguei agora...Tenho que terminar?
Nem sei se mereço!
Ah! E isso não é o fim
E sim o começo!
Talvez sim
Talvez não.

POESIA NA VARANDA



Terça-feira, Maio 15, 2007

SÉTIMO POESIA NA VARANDA

Como diria a letra de uma música do grupo Argentino Actitud Maria marta: "Hijo mío que mundo le a tocao p'caminar ?" ...Bom, acredito que nós, os hermanos, brasileiros, da baixada, contra tudo e todos estamos fazendo nossa parte... Mais um POESIA NA VARANDA realizado com sucesso e louvor e este com um agravante totalmente salutar e feliz, o aniversário do patrono do evento, SYLVIO NETO (gostou do termo Sylvio?), mais uma noite recheada de pensamentos afiados e ao mesmo tempo tênues e sublimes que fez com que todos os presentes, que irei citar logo abaixo, compusessem uma alta roda de debates e lirismo musical e poética, também temos algumas fotos do evento, gostaria de me desculpar quanto a falta de fotos, pois neste, infelizmente não havia ninguém com máquina digital, apenas o fiel escudeiro de Sylvio Neto, o sempre discreto Caio, seu filho (Caio... Valeu pelas fotos !!), e nopróximo post teremos mais um POEMA COLETIVO feito a várias mãos pelos presentes.


CEZAR RAI (DESMAIO PÚBLIKO)
POETA, PENSADOR E NESTE DIA ANIVERSARIANTE SYLVIO NETO, JUNTAMENTE COM CLEIDE (ARTISTA PLÁSTICA)
EU, HELIO ANDRADE, APROVEITANDO A BRISA DOS DEUSES...RS
GABIRÚ ROBSON (MÚSICO)
TIVEMOS TAMBÉM O LANÇAMENTO DO LIVRO DO ESCRITOR MÁRCIO RUFINO
SLOW (RAPPER E ATIVISTA SOCIAL)

também contamos com JUSSARA, MÁRCIA, ANDERSON, ANDRÉ, ROGER HITZ (CAÔ DE RAIZ), JOSY, MARIANA, FLÁVIA, HENRIQUE e outros lembrarei e colocarei também nesta lista.

Um Abraço a todos e VIVA A CULTURA

HELIO ANDRADE







HUGO ANDRADE II

Assalto no centro do Rio

Os marujos estão chegando.
É hora de assalto na Praça Mauá.
Ao longe imponente,
A ponte, vibrando,
Recebe em seu leito,
Mil homens de sonhos
Que vão e que voltam
Em busca da vida,
E outros que pagam
O funesto pedágio
E saltam, pirados,
Em busca da morte,
Nos braços do mar.
É hora de assalto na Praça Mauá.
Sirenes tocando e o cerco total.
Seis tiros! Dez tiros!
Ninguém sabe ao certo o saldo final.
O Sol vai fugindo...
Mulheres na rua
Procuram apressadas o rumo do lar.
Tempero, panela, na globo, a novela.
“Meu Bem, vem jantar”.
A noite abafou
Com sua chegada
O Selvagem conflito
Passou abraçado
Com a Dama da Noite.



Hugo de Andrade

CALBER I

Rufião


Estou Longe de ser
Mas digamos
De passagem
Você foi minha musa
Eu não minto
E Você se achava
Um pedaço
De carne
Na boca do faminto

Calber “soneca”

Sábado, Abril 21, 2007

1 ANO INSANO, LA CARTA ENTRELINHAS GRITANDO NA WEB.

1 ANINHO, LA CARTA ENTRELINHAS GRITANDO NA WEB.

A um ano atrás resolvi pegar meu antigo fanzine feito em folha de oficio onde teve uma circulação modesta porém bastante empolgante, era um fanzine onde eu tinha a idéia de que qualquer pessoa pode dar sua opinião, criticar, mostrar suas rosas ou seus espinhos, resolvi pegar este fanzine que se chamava LA CARTA ENTRELINHAS e resolvi transforma-lo em bytes e bit´s fazer com que a idéia navegasse na web, então munido de poucas ferramentas e muita vontade coloquei a prova minha força de vontade em meio a certas atribulações pessoas que estava passando e lancei o meu blog ou como meu camarada Sylvio Neto chama “revista eletrônica” www.lacartaentrelinhas.blogspot.com e logo de cara tive diversos comentários e palavras de incentivo para que continuasse, que os textos e o visual estava legal, e munido desta gasolina reeditei todas as matérias, crônicas, poesias e opiniões que já estavam no antigo fanzine (a bem da verdade faltam alguns ainda), mas enfim, estamos a 1 ano nessa labuta prazerosa que é tentar levar a todos textos e materias de ilustres conhecidos como os grandes ícones da pintura, literatura, política e etc, e ilustres desconhecidos também, como eu e vc.

Gostaria de agradecer a todos que me deram força e óbvio.. Mandar a merda todo mundo que com inveja e parasitismo tenta poluir essa luta de formiguinha contra a apatia cerebral.

Viva a cultura

Helio Andrade

Sábado, Abril 14, 2007

ANDRÉ B. COSTA I

Parabenizando La Carta Entrelinhas, espaço cultural e democrático (atualmente algo raro), eu, ANDRÉ B. COSTA, de Niterói – RJ, gostaria de colaborar com:

MAIS UM PLANO DELES


Segundo o Tio Sam, a criação do chamado "Plano Colômbia” tem como objetivo acabar com a produção de entorpecentes existentes naquele País. Alegam eles, que boa parte da droga, lá produzida, penetra em território norte-americano para abastece o tráfico nas famosas “big cities”. Assim, embasados em tal alegação, os governantes dos EUA, junto a Central de inteligência americana (CIA), vem injetando muita grana no governo colombiano e capacitando altamente, através de treinamento, o exercito daquele país. Contudo, todo esse circo montado, vem encobrir a principal razão pela qual os EUA, mais uma vez, se intromete nos assuntos internos de nações da América Latina (a qual considera seu quintal): o temor pelo crescimento das FARC – forças armadas revolucionárias da Colômbia. Por sua vez, esta é uma poderosa guerrilha de orientação Marxista-leninista que atualmente ocupa 40% do território colombiano e conta com cerca de 15 mil combatentes, entre homens e mulheres. O imperialismo yankee, pra variar, sempre incomodado pela “ameaça vermelha”, usa de inúmeros artifícios com o propósito de caluniar e denegrir a imagem da guerrilha; chegando ao inescrupuloso ponto de contratar mercenários para matar civis inocentes, numa tentativa de jogar a culpa nas farcs.
Os meios de comunicação, comprando o discurso dos estados unidos, o que é algo explicável, já que são de propriedade da classe dominante, veiculam toda a farsa a respeito dos guerrilheiros colombianos.
Contrapondo-se energeticamente a isso, resta a nós, do setor estudantil da sociedade, denunciar a verdade à grande massa, no caso, brasileira, explicando a esta que a luta empreendida pelos combatentes das FARC tem como meta a libertação do nocivo sistema capitalista, explorador e opressor.

André B. Costa.

Domingo, Abril 01, 2007

SEXTO POESIA NA VARANDA – FOTOS E VIDEOS – PARTE II

Segue abaixo algumas fotos e mais um vídeo da sexta edição do POESIA NA VARANDA que ocorreu no dia 10 de março, bem como outro poema coletivo germinado nas entranhas dos desavisados boêmios da baixada...

Mentes em ebulição, insanidade na madrugada.
Embriagados de palavras, que não levam a lugar nenhum,
Nós, sedentos de algo, que querem dizer alguma coisa.

Oiza, mulza, louça, maluca, noite lúcida!
Viu?
Ouviu?
Sentiu?
Ai ai compadre..
Estamos ou somos?

Me sinto toda, EU fora de mim.
Vejo o que não sou!
Inacreditável, como não preciso ser o que deveria.
Como transformar esta vida
Naquilo que deveria ser
Uma morte anestesiada ou uma vida desregrada
Uma vida
Uma noite
No meio de nada
Uma estrela
Uma lua
E minha amada.

Poema coletivo II criado por Tony Maneiro, Waldemir, Cláudio “saúva”, Gisele, Josy, Helio Andrade e Isabela.



Cláudio "sauva" declamando "fidelidade".

Até a póxima e viva a cultura !!

Terça-feira, Março 20, 2007

SEXTO POESIA NA VARANDA

Segue abaixo algumas fotos e videos da sexta edição do POESIA NA VARANDA, ocorreu no ultimo dia 10 de março DE 2007, optamos por neste evento, nos utilizar do formato “mesa redonda”, onde transbordamos nossos textos, em meio a debates calorosos, tivemos pontos de vista e retóricas variadas e interessantes, desta vez conseguimos adentrar a noite e lamos o poesia na varanda para os bares de Belford Roxo, onde continuamos nossos devaneios líricos e poluímos a mesmice com versos e sonhos obtusos, criamos ao longo dessa desventura um poema coletivo feito a várias mãos que também segue abaixo.

Gostaria de dedicar o evento e o poema coletivo ao grande Sylvio neto que por questões de cunho pessoal não pode

comparecer mas estava com certeza

no coração de todos... abração Sylvio !!!


POEMA COLETIVO

Sorvo o orvalho
A Lua brilha,
A Brisa da Noite
Teu corpo acaricia
Escravo por opção
Me embriago em seu Lago
A mente turva

Meu sangue congela

Minha língua ferina

Penso eu teu corpo desnudo

Frio e denso, sempre desnudo

Me ame,

Quando eu menos merecer,

Pois é quando mais preciso
Mas onde estamos ?

Asfalto, sereno, sobreçalente e intenso
Ouço a música de minha alma,
Ritmicando todo meu ser
Me torno algo, que nem sei,

Alguma coisa entre o aqui e ali,

Sinto-me perdido e em desarmonia
Queria ter o poder
De traduzir em palavras escritas o que vai em minha alma,
Nesse momento, abstrato,
Ao mesmo tempo pesado, invisível Para os olhos alheios,
Inevitável e vital para o meu próprio coração.

Criado por As tantas da madruga por Helio Andrade, Josy, Queli, Gisele, Cláudio “Saúva”, Valdemir, Tony Maneiro e Isa Lima.

VIDEOS

TONY MANEIRO DECLAMANDO


HELIO ANDRADE DECLAMANDO "MINHA GUERRA".


VALDEMIR DECLAMANDO "POR DO SOL".


ATÉ A PRÓXIMA E VIVA A CULTURA.
HELIO ANDRADE.